domingo, 30 de maio de 2010

Talvez assim daria certo...

"Promete ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando -lhe e respeitando -lhe até que a morte nos separe?"
Como podemos prometer isso?!
Na tristeza?! Até que a morte nos separe é muito tempo...
E com isso quando uma pessoa decidi dividir a vida com a outra pessoa, se perde de si mesmo. Afinal, prometeu colocar a outra pessoa acima da sua própria vida e felicidade! E pior dá o direito do outro de cobrar a promessa!
Já começa tudo errado...
Um dia me enviaram um texto, maravilhoso, de Mário Quintana sobre o ritual do casamento e que achava o juramento fora da realidade e sugerindo um novo sermão:
"Promete não deixar a paixão fazer de vc uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando que ele não pertence a vc e que está do seu lado de livre e espontânea vontade?
Promete saber ser amiga (o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma ou outra, sem que isso lhe transforme em uma pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
Promete sentir prazer em estar com a pessoa que vc escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato dela ser a pessoa que melhor conhece vc e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como vc a ela?
Promete se deixar conhecer?
Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, não o porque é o que esperam de vc, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que saberá responsabilizar -se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com a sua própria solidão, que casamento algum elimina?
Promete que será tão vc mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros."
Talvez assim daria certo...

domingo, 23 de maio de 2010

Na era Balzaquiana

Sim... Aos trinta anos algo muda...
Passamos a questionar todas as verdades que nos foram impostas...
O Príncipe encantado, aquele que nos fazem acreditar que é o máximo desde de criança, que desperta a Bela adormecida com beijo do amor verdadeiro, que salva a Branca de Neve da madrasta , que procura a Cinderela pela Cidade toda, para colocar um sapatinho no seu pé, perde o sentido...
Percebemos que ele não virá no seu cavalo branco e paramos de procurá-lo...
O beijo que nos fazem acreditar que é uma coisa mágica, afinal, ele é capaz de transformar o Sapo em um Príncipe, logo também deixa de ser mágico, e passa a ser simplesmente um beijo...
E tem o "Felizes pra Sempre"... Já passamos não acreditar nisso. No máximo um "eterno enquanto dure"...
Com isso a ideia de felicidade, que ela só existe dentro de um casamento, passa a ser questionada... Será que serei Feliz para sempre?!
Tudo muda de sabor...
O que me faz feliz de verdade?
É sensacional, deixamos de ser a menininha, passamos a querer novas verdades e a ser mulher em nossa totalidade...
Não importa se somos casadas ou solteiras... Mães ou não...
Aos trinta anos, tomamos posse da nossa essência de mulher!!!
Não nos preocupamos mais com a opinião dos outros...
Curtimos mais a nossa própria companhia, adoramos ficar sozinhas e passamos a querer mais qualidade quando o assunto é compartilhar momentos...
Sabemos o que queremos, como queremos e principalmente com quem queremos.
Nossos joguinhos são mais interessantes, dos que quando somos mais novas...
Estamos preocupadas em ensinar e aprender...
Passamos a desejar sintonia...
Cumplicidade...
Risadas são um afrodisíaco.
Sedução fazem parte da brincadeira... Encaramos o sexo como uma troca completa.
Somos mais seguras, não temos vergonha de nos assumir. Expomos mais o que sentimos...
Não deixamos de ser sensível, romântica... Só não fazemos isso pra qualquer um.
Perdemos a pressa nas coisas...
Passamos a nos deliciar com o presente. Fazemos dele o nosso verdadeiro presente!
Nossa independência passa a ser prioridade, tanto financeira quanto a emocional.
Temos a certeza que a Felicidade não está no outro. Ele vai com certeza complementar e tornar tudo deliciosamente melhor...
Afinal, é maravilhoso ser de alguém na sua totalidade!
Vivemos o que sentimos, sem medos e nos permitimos a arriscar, porque nos amamos mais !

Honoré Balzac, já conhecedor dessa essência a ser descoberta... Sabiamente escreveu a Mulher de trinta anos.
Sim... Somos Balzaquianas, e ainda bem!